quarta-feira, 29 de maio de 2013

Necropolis 2350 - Uma Breve Resenha




Muitos jogos apresentam temáticas confusas, com cada jogador não sabendo ao certo o que são e o que devem fazer, Necropolis  2350 não sofre deste mal. Tudo é muito claro, restrito e coeso.



Necropolis  2350 é um jogo de ficção cientifica militar definido em um planeta chamado Salus  (ou Necropolis, às vezes) que é o último planeta povoado por humanos no universo depois de um evento estranho e desconhecido que destruiu a Terra (uma coisa relativamente recente na história do jogo). O planeta é dominado pela Igreja (Leia-se, uma instituição de estilo católico militante que usa muitas das tradições medievais). A civilização está sendo atacada por um inimigo estranho e até desconhecido. Você joga com cavaleiros a serviço da Igreja contra os antagonistas principais: os Refaim. Grandes corporações estão disponíveis e são os inimigos não declarados do cenário.

O inimigo

Os Refiam (um termo para morto inquieto) assumem a forma de mortos-vivos comum da fantasia, embora eles são notavelmente mais inteligentes e capazes de táticas astuciosas e do uso de armas tecnológicas (a capa do fundo do livro mostra um morto vivo armado com uma espécie de metralhadora). Quase todo tipo de mortos-vivos clássicos estão nas fileiras dos Refains.



As Ordens Sagradas

Os personagens jogadores são membros das Sacri Ordines, o braço militar da igreja. Cada ordem foi criada para um propósito específico (combate corpo a corpo contra os Refains, a operação de veículos, o estudo do inimigo, etc.). O livro trata sobre a rivalidade entre elas, mas não é uma parte importante do jogo.


As Corporações

Mega-corporações representam a outra presença humana na Salus. Cada corporação tem algumas linhas de produtos como marca registrada e coletivamente, eles podem atuar como inimigos ou aliados aos PJs, embora não existam regras no livro básico para se jogar com corporativos, isso é exposto em livros mais avançados.

Executando o Jogo

O Mestre (ou como é chamado no jogo, o Mestre de Guerra) deverá executar um jogo de ficção científica militar e para isso ele terá muitas opções aqui. Há um gerador de missão, quatorze cenas de encontro previamente preparados, e uma campanha inteira, com vários caminhos de ramificação, já no livro básico. Todos os eventos dos encontro ou da campanha têm muito a ver com o mundo do jogo. A campanha é particularmente impressionante, embora seja mais um fluxograma de guerra do que uma campanha completa. No entanto, sendo composta principalmente de sequências de combate ligados, ela permite muita liberdade entre os jogadores e o mestre.

Há regras interessantes para esquadrões de soldados da igreja normais sob o comando do jogador. Seus níveis de munição e moral são controlados de uma maneira simples e única para o andamento sadio do jogo. Os jogadores tem boas opções de customização e diferenciação de personagens.

Pontos Altos

Quase todos os melhores elementos benéficos de Necropolis estão relacionados com a forma como ele executa o tema ficção científica militar.

 1. Regras para veículos. Enquanto alguns RPGs  têm regras bem feitas para combates de veículo, as regras deste jogo funcionam excepcionalmente bem quando os veículos estão como papel de apoio.
 2. Suporte de artilharia. Quantos RPGs  dão os PJs  a capacidade de chamar apoio de fogo? Apenas alguns poucos. Nenhum deles eu vi fazê-lo tão bem como neste jogo. Os jogadores, se usarem da maneira correta, poderão evitar ou acabar com combates usando seu suporte de artilharia aérea, trazendo o fogo dos céus literalmente.

 3. Inimigo assustador. O Refaim  é um inimigo especialmente irritante. Pegue toda a bizarrice habitual dos mortos-vivos e misture-os com um arsenal pesado.

 4. Circunstâncias Desesperadoras. A humanidade está em frangalho. Alguns dos melhores drama na ficção vem quando nossos heróis enfrentam a derrota ou mesmo extinção. Este jogo tem isso em abundância.

Notas

1. As Ordem possuem uma personalidade e ideia sobre outras ordens. O uso destes estereótipos com exagero chega a ser burrice. A briga entre as ordens existem, mas deve ser o pano de fundo ou uma micro trama dentro de todo o mega plot.

2. A Tecnologia Necrótica  as vezes soa como infantil ou débil. Um canhão feito com com fêmur humano pode parecer legal se você é um adolescente amante de animes sanguinários ou amante de black metal, mas se você quer um tom de maior seriedade, ignore isso e se apegue aos melhores elementos do jogo.

Finalizando

Comandar jogos militares são uma tarefa árdua, parece simples mas não é. Porem neste jogo a coisa parece ser mais simples. O fanatismo, clareza e objetivos deixa tudo mais claro.

Se você quer um jogo padrão: cavaleiros contra mortos vivos à mando de superiores, você tem tudo que precisa aqui. Se você quiser mais que isso, o jogo quase lhe dará todo o trabalho realizado.

Alguns elementos meio grotescos e mal acabados diminuem a nota final do jogo, mas no que ele faz bem, ele faz MUITO bem. O maior trunfo deste jogo é "Finalidade e Execução".

Duvido um Mestre de Guerra ler esse livro e não ter uma história pronta para começar a narrar.

Sobre o Autor:Rafão Araujo
Joga RPG há 11 anos. Fã de cenários apocalipticos e terror pessoal. Casado, pai de família e apaixonado pelo que faz. Coordenador do Reduto do Bucaneiro junto com seus fíeis amigos e esposa. Sua mente gira entorno dos Reinos de Ferro, Heavy Metal, Jiu Jitsu, Games e da loucura de Ganhar dinheiro. Um insano que não deveria estar à solta.

Um comentário:

  1. Curti bastante teu blog, man! Continue assim, e quando puder, faça um review do Day After Ragnarok, um dos cenários mais viajados que já vi!

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